Segunda-feira, Julho 06, 2009

Ficcionismo 

Tive imensas discussões com o meu pai - como os meus pais - sobre a desconfiança, a sujeição a modelos e o fatalismo; sobre uma visão cínica e, parecia-me, finalmente conformista, solitária e triste, da vida. Uma visão de condenação.

Eu, queria provar que não era necessariamente assim, que as coisas não descambam sempre, que temos sobre elas algum controlo, que nos cabe alterá-las quando erradas, mudar o seu rumo.
Havia fantasias de juventude, falta de experiência e visão. E outra coisa ainda; o não querer olhar para a lei dos números.

Por tradição, por inércia, por tacanhez, sim, mas também por selecção natural, certas ideias tornam-se pré-feitas; tornaram-se, por servirem. Contrariá-las é contrariar o senso de muita gente. Nalguns casos, o bom senso de muita boa gente. E há sempre arrogância e violência em crer que estamos mais certos que tantos outros.

E - antes que isto se torne num manifesto conservador que justifique qualquer barbaridade com o passar do tempo - eis a vaca fria: talvez o segredo seja reconhecer que regularidades, regras, "leis".
E há excepções. Podemos apoiar essas excepções quando queremos fazer mudar, evoluir para além da tradição e dos preconceitos. Mas sem esquecer que não poderemos transformar todas as situações numa excepção.

Pelo menos durante o tempo de uma vida.

Domingo, Julho 05, 2009

Whatever works 

O novo Woody Allen tem um novo-velho actor a interpretar o bom velho Woody.

E a nova história é a nova-velha interpretação da sua boa velha história de sempre.

E a nova moça, ou melhor, o par nova-velha, é bom, ou boas, até a mais velha.

E a nova solução, que é semi-nova, semi-velha, acaba por não poder deixar de ser, afinal, velha: a lucidez pede desencanto, desilusão e despero, o amor promete a paz temporária do contrário.

Aproveitem, enquanto funciona.

City jogging 

10 km, 48m,coisaetaldesegundos

a derreter, primeiro fácil, a descer, depois amargo, a subir;

como às vezes a vida, o mesmo, só que ao contrário.

Grátis 

"A vida devia ser gratuita", diz o António Pedro Ribeiro.

E diz bem.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

The master's teachings 

A guilty conscious is heavy to bear. Don't get one.

Sábado, Junho 20, 2009

Staccato unhappiness 

"Staccato [...] can now describe anything — not just sounds — made, done, or happening in an abrupt or disjointed way".

Talvez possa descrever a nossa (in)felicidade?

Quarta-feira, Junho 17, 2009

Guilt complex 

Estava ontem a conversar com alguém que passou 3 meses em África, por entre voluntariado e férias. E assim perdeu muitas - se não todas - as ilusões sobre a ajuda ao desenvolvimento.

Eu, ouvindo, e chorando e rindo, pensei como essa ajuda é também a dispendiosa forma dos ocidentais fazerem a sua psicoterapia da culpa.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

My 

Suggestion for a tattoo:

"nothing permanent".

Domingo, Junho 14, 2009

Youth 

"Um era um homem e o outro era mais... ou menos do que um homem. Seja como for, ambos já morreram, e a senhora Beard morreu, e a juventude, a pujança, o carácter, os pensamentos, as façanhas, a ingenuidade... tudo morre, faça-se o que se fizer".

Joseph Conrad, Juventude

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Rock stars 

We should give it to them

They are sharp;

in their 20s, they manage to come up with lyrics that capture and communicate the substance of what is in and around us (discard the "baby, I love you" babble); they write verses (even if they just happen to casually stumble upon them *) carrying insights that most of us mortals may not discover by the time we have kids their age;

And they are brave;

they dare to try to get it, and the girls with it, by playing, by giving it time, against ridicule, laziness and boredom of not knowing any better.

(*) interesting (old timer ?) prejudice here?

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